segunda-feira, 16 de abril de 2007

Depois da Vida

Wandafuru raifu (1998)
de Hirokasu Koreeda
com Arata, Erika Oda, Susumu Terajima, Takashi Naito

Em um ponto qualquer entre o céu e a terra, pessoas mortas recentemente são apresentadas aos seus guias. Durante os três dias seguintes, estarão escalados para ajudar os mortos a vasculhar suas memórias em busca de um momento determinado de suas vidas, uma boa lembrança, um marco em suas existências. O momento escolhido será recriado em um filme, que será uma espécie de lembrança que levarão consigo em sua passagem para o paraíso. Mas, além do choque dessas pessoas ao saberem que estão mortas, resta ainda uma tarefa difícil: escolher o momento mais importante de suas vidas.
Uma pena tanta criatividade ficar só na sinopse.Comecei a ver a noite mas tive que deixar para terminar de ver o filme no outro dia, de tanto sono que o filme me deu.O filme tem sim um ou outro momento que serve para reflexão, mas não explora bem a idéia e muito menos os personagens - que aceitam tudo e incrivelmente não perguntam nada significativo aos ''guias''.Fora o fato de eu não ter gostado de nenhum dos atores (a maioria inexpressivos) e o filme ser de um depressão sem fim.Acho até que a idéia era deixar o filme com esse tom depressivo mesmo, mas não precisava tanto.Só achei legal a homenagem ao cinema - como a fábrica que recria as memórias - e a dificuldade das pessoas em ter que escolher apenas um momento da vida como recordação eterna - um tema que merecia um desenvolvimento melhor.nota 4

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Especial - O Grande Ditador

The Great Dictator (1940)

De Charles Chaplin
Com Charles Chaplin, Jack Oakie, Paulette Goddard, Henry Daniell, Reginald Gardiner

Em meio a Segunda Grande Guerra Mundial, judeus estavam sendo esmagados pelo preconceito alemão. Chaplin, genialmente, interpreta os dois protagonistas da história: o ditador Adenoid Hynkel (em clara referência a Hitler) e o barbeiro Judeu. Irônico e atrevido, este filme lhe causou sua expulsão dos Estados Unidos, mas criou também uma obra-prima única com uma das melhores mensagens anti-guerra já transmitidas ao homem.

Acho que até hoje, de todos os filmes que eu vi, poderia classificar um ou dois como obra-prima, e mesmo assim com algumas ressalvas.Mas após ter assistido esse O Grande Ditador, posso afirmar sem medo ou ressalva nenhuma: o filme é uma Obra-Prima e Charles Chaplin é um Gênio.Absolutamente, preciso corrigir o erro de nunca ter visto nada dele e ver toda a sua obra .Tudo é perfeito no filme.O humor refinado, inteligente e criativo (que tentam imitar até hoje) o roteiro, a parte ''técnica'' (para a época, sensacional) as interpretações (todos estão impecáveis até nos olhares), os diálogos, a direção e a trilha sonora.É uma seqüência de cenas clássicas, uma melhor e mais inteligente do que a outra.Há várias partes que poderia destacar, entre elas a soberba interpretação de Chaplin, tanto como o ditador quanto como judeu, que com certeza é a melhor que eu já vi e o discurso final, que serve como reflexão para todos, desde ditadores à miseráveis, pois todos, antes e acima de tudo, são seres-humanos.

O filme tem mais de duas horas, mas nunca fica cansativo ou chato, pelo contrário, vai melhorando.É daqueles(poucos) que a gente torce para não acabar nunca.

Um filme atemporal, que apesar da idade nunca perderá a qualidade, graças a genialidade de Chaplin.nota 10


segunda-feira, 9 de abril de 2007

Eterno Amor

Um Long Dimanche de Fiançailles / A Very Long Engagement(2004)
de Jean-Pierre Jeunet
com Audrey Tautou, Gaspard Ulliel, Clovis Cornillac, Jodie Foster

Após o término da 1ª Guerra Mundial, a jovem Mathilde aguarda notícias sobre Maneth, seu noivo. Mathilde fica sabendo que Maneth fez parte de um grupo de cinco soldados que, individualmente, provocaram sua própria mutilação, para que deixassem a frente de batalha da guerra. Os cinco são condenados à morte pela Corte Marcial e, após serem levados a uma trincheira francesa, são deixados à morte no território existente entre o local em que estavam e a trincheira alemã. Apesar de todos serem considerados mortos pelo exército francês, Mathilde acredita que Maneth está vivo e inicia, por conta própria, uma busca por pistas que confirmem isto.
Belo filme francês de romance e guerra, com ótimas interpretações e boa direção.As cenas de batalha são muito bem feitas, assim como toda a parte técnica do filme (inclusive foi indicado aos Oscar's de Direção de Arte e Fotografia).A trama - apesar de picotada - é muito bem contada e em nenhum momento cai na previsibilidade,além de contar com um humor refinado.Com belas locações e bons momentos (principalmente os que envolvem a guerra) o filme vale a conferida, só que é um tanto longo e às vezes perde o ritmo por isso. nota 7

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Trilogia do Silêncio - por Mário Franciscon


A Trilogia do Silêncio, de Ingmar Bergman


A Trilogia do Silêncio tem como temas principais, os quais são muito caros a toda obra de Bergman, a impossibilidade de comunicação entre as pessoas e o questionamento da existência de Deus. Segundo o diretor, “cada filme [da trilogia] tem um momento de contato, de comunicação humana: na frase ‘papai falou comigo’, no final de “Através de um Espelho”; o pastor conduzindo a missa na igreja para Martha, no final de “Luz de Inverno”; o garotinho lendo a carta de Ester no trem, no final de “O Silêncio”. Um diminuto mas crucial momento em cada filme. O que mais importa na vida é conseguir fazer esse contato com outro ser humano. Do contrário você está morto, como muitas pessoas hoje estão mortas. Mas se você puder dar esse primeiro passo em direção à comunicação, em direção à compreensão, em direção ao amor, então não importa o quanto o futuro possa ser difícil – e não tenha ilusões, mesmo com todo amor do mundo, viver pode ser diabolicamente difícil – então você está salvo. Isso é tudo que importa, não é ?”

Seguem as impressões e avaliações de cada um dos filmes:

Através de um Espelho (Såsom I En Spegel,Ingmar Bergman, 1961)
Harriet An
dersson está maravilhosa como a frágil Karin que, afetada por crises de loucura, entra em conflito com seus familiares (seu pai, seu irmão e seu marido), durante as férias numa ilha distante. Um drama psicológico intenso, com poucos personagens, em que Bergman disseca o processo de degradação de uma família, além de tratar da existência (ou não) de Deus. A fotografia de Sven Nykvist em preto-e-branco é algo de excepcional, e a música de Bach casa perfeitamente com o clima das imagens. Um degrauzinho abaixo dos maiores filmes que assisti dele (Morangos Silvestres, O Sétimo Selo, Gritos e Sussurros, Fanny e Alexander e Persona), mas melhor que quase tudo que já tive oportunidade de ver. nota 9.


Luz de Inverno (Nattvardsgästerna, Ingmar Bergman, 1962)
O tema é o
mesmo do filme predecessor: o questionamento da existência de Deus e de como Ele se revela (ou não) ao homem. Porém, se em "Através..." a fé e a dúvida são permeadas pela insanidade da protagonista, em "Luz..." Bergman privilegia a amargura e a desesperança do pastor luterano Tomas Ericsson (Gunnar Bjornstrand), incapaz, por conta de seus próprios dilemas religiosos, de ajudar um fiel a superar seus conflitos existenciais. Mais árido e melancólico que o anterior, "Luz de Inverno" é outro grande filme do diretor sueco. nota 8,5.






O Silêncio (Tystnaden, Ingmar Bergman, 1963)
O último filme da trilogia e o mais polêmico, pelo fato de possuir cenas com forte apelo erótico (o diretor foi muito criticado por parte das autoridades suecas, e por grupos religiosos). Desta vez, Deus está ausente (literalmente) e o que predomina é a ausência de comunicação entre as pessoas. Duas irmãs viajam de volta à Suécia acompanhadas do pequeno filho de uma delas. Param em um hotel quase deserto, aparentemente em território finlandês, onde a língua é um entrave para a comunicação. Ester (Ingrid Thulin) é a mais velha, uma tradutora solteirona bem sucedida que tem sérios problemas de saúde (inclusive alcoolismo), e Anna é a mais jovem e libertária, mãe de Johan. As irmãs possuem sérios problemas de relacionamento. Desta feita, Bergman investe pesado na sensualidade (de Anna), na amargura (de Ester) e na imaginação lúdica (de Johan), com maestria, mas na minha opinião sem o mesmo brilho dos anteriores. nota 8.



Para saber mais sobre Ingmar Bergman:
http://www.terra.com.br/cinema/favoritos/bergman.htm

* Agradeço muito ao Mário (profundo conhecedor de Cinema, amigo e tbm moderador do grupo cinemafantástico) por ter me enviado as críticas.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Resumo - Março

Resumo dos filmes vistos em Março

Zona de Risco (2000) - nota 7 ***½
''Outro bom filme coreano, com bela direção e boas atuações, alem de uma estória original. ''

Carros (2006) - nota 7 ***½
''...
tem passagens e personagens divertidos sem forçar muito e a mensagem final é bem legal.''

Click (2006) - nota 7 ***½
''...um roteiro bem legal e criativo e passagens muito engraçadas...''

Por Um Sentido na Vida (2002) - nota 6 ***
''Drama que começa interessante, mas vai se tornando previsível à medida que as coisas vão acontecendo.''

Exército de Mercenários (2004) - nota 6 ***
'' Tem algumas tiradas engraçadas e uma mensagem boa no final, o que acabou o tornando ‘assistível’ ''.

O Protetor (2005) - nota 7 ***½
''Pra quem gosta de filmes de luta e gostou de Ong Bak, esse, apesar de um pouco inferior, tbm é recomendado.''

Filhos da Esperança (2006) - nota 7 ***½
''
Tecnicamente o filme é impressionantemente bom, com efeitos, trilha, som e fotografia ótimos, mas achei que o roteiro deixou um pouco a desejar...''

Borat (2006) - nota 6 ***
''...
uma mistura de apelação com tosquice.''

Prenda-me Se For Capaz (2002) - nota 7 ***½
''É um filme que prende mais pela história no geral, do que por essa ou aquelas parte...''

quinta-feira, 29 de março de 2007

Prenda-me Se For Capaz

Catch Me If You Can (2002)
de Steven Spielberg
com Leonardo DiCaprio, Tom Hanks, Christopher Walken, Martin Sheen

Frank Abagnale Jr. (Leonardo DiCaprio) já foi médico, advogado e co-piloto, tudo isso com apenas 18 anos. Mestre na arte do disfarce, ele aproveita suas habilidades para viver a vida como quer e praticar golpes milionários, que fazem com que se torne o ladrão de banco mais bem-sucedido da história dos Estados Unidos com apenas 17 anos. Mas em seu encalço está o agente do FBI Carl Hanratty (Tom Hanks), que usa todos os meios que tem ao seu dispor para encontrá-lo e capturá-lo. Mais um bom filme de Spielberg, contando com uma boa trama (dessa vez real) e elenco de peso. Se tudo for mesmo real, o tal Frank Abagnale Jr. é um superdotado, pois só assim para aprontar tudo aquilo com apenas 17 anos.É um filme que prende mais pela história no geral, do que por essa ou aquelas parte (já que tem momentos cansativos e pouca ação).Ótimas atuações de DiCaprio e Walken (melhor papel da vida dele, aliás,um dos poucos papéis sérios q ele teve) mas achei Tom Hanks um tanto ''contido''.A história é bem legal mas se arrasta demais (achei o filme longo), fora que tem muitas partes que ''exageraram na sorte'' (tanto do policial quanto do ladrão), nos fazendo pensar se aquilo realmente aconteceu ou não.Destaque para o final - que adorei - pois aconteceu o que eu menos esperava. nota 7

quinta-feira, 22 de março de 2007

Borat

Borat (2006)

de Larry Charles

com Sacha Baron Cohen, Ken Davitian


Borat Sagdiyev (Sacha Baron Cohen) é um repórter do Kazaquistão que vai fazer uma série de reportagens nos Estados Unidos. Lá, ele fica enlouquecido para conhecer e se casar com Pamela Anderson.

Apesar dos bons comentários a respeito, já não esperava grande coisa desse filme ‘’alternativo’’.E ele, pra mim, conseguiu ser pior do que o esperado.Achei que ia ter mais entrevistas engraçadonas e bem sacadas na rua, mais brincadeiras criativas e tal...o que eu vi foi uma mistura de apelação com tosquice.Principalmente naquela parte da briga deles no quarto ...Confesso que a idéia foi criativa e até bem realizada pelo Sacha Baron Cohen(que está bem convincente), mas não achei tanta graça assim.No entanto, tudo que tire sarro dos norte-americanos vale a pena dar uma olhada.nota 6